terça-feira, 22 de maio de 2018

Michele - revista Intervalo - 1970


A revista Intervalo, da editora Abril, surgiu em 1965 apostando na popularização da TV no Brasil. Era apresentada em formatinho, nos moldes da TV Guide norte-americana e, além da programação dos canais, trazia semanalmente também matérias sobre os astros da telinha e da música.


A partir de 1970 dobrou seu formato, para um tamanho próximo da revista Realidade, e abriu espaço para o cartunista Michele (pronuncia-se Miquéle) Iacocca, que nesse período fazia parte da redação da revista, criar sua tira semanal sobre televisão. 

A série não tinha nome, nem seus personagens, mas era composta basicamente por um espectador interagindo com seu aparelho de TV.


Com um traço bastante influenciado pelo do cartunista argentino Copi (Raul Damonte Botana, Buenos Aires, 1939 - Paris, 1987), e dono de uma criatividade inesgotável, Michele conseguia fazer humor sutil com essa situação tão corriqueira.

A revista Intervalo durou até 1972.

Sobre o autor, a Antologia Brasileira de Humor - Volume 2 (L&PM, 1976) registra: "MICHELE IACOCCA nasceu em 19 de outubro de 1942, em S. Marco Del Cavoti, Itália. Iniciou como profissional em 1969, em São Paulo onde reside. Foi colaborador de diversas revistas do país. Atualmente é colaborador da revista Veja e Exame. É autor do livro Eva".


No site da editora Global, achamos a seguinte biografia: 

"Nasceu na Itália, tem formação em Artes Plásticas, veio jovem para o Brasil e aqui fincou suas raízes. Chargista, cartunista, tradutor, escritor, foi durante anos diretor de arte de agências de publicidade e editoras. Publicou seus trabalhos nos principais jornais e revistas do país. Autor e ilustrador de mais de uma centena de livros, entre eles os premiados Eva, Vacamundi, O que fazer?, Doente imaginário, Primeiro amor e As aventuras de Bambolina. Tradutor de obras de escritores famosos como Gianni Rodari e Umberto Eco, ganhou, por traduções, o Prêmio APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte".

sábado, 12 de maio de 2018

Igayara - Entrevista - 1991

Peninha - revista Bidu - editora Continental - 1960

A entrevista a seguir foi realizada pelo pesquisador Worney Almeida de Souza (WAZ) em 1991 e transcrita pelo editor deste blog. Realizada na escola-estúdio do desenhista Waldir Igayara, permanecendo inédita até agora. 

Aproveitem!

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Worney: Como é que era o esquema na (editora) Continental?

Igayara: O (Jayme) Cortez era o grande mestre. A parte de arte era a parte onde ele estava. Ele é que recebia todas as histórias de todos os artistas, ele que comentava, ele que batia papo, ele que fazia todas as capas das revistas. Ele fazia tanta capa de revista, o Cortez, que algumas ele assinava Miguel Penteado. Tem capa do Cortez assinada M. Penteado que são do Cortez, isso eu vi ele assinando. Digamos assim, só o Cortez desenhou todas as capas. E ele fotografava modelo etc, e ele executava capa, de vez em quando você via ele fazendo um cartaz para o Mazzaropi, o Mazzaropi tava circulando por lá sempre... Tinha revista também do Mazzaropi. 

Sei lá, o Cortez era um cara metido em arte... claro que ele tinha também umas preocupações de empresário, porque ele era um dos sócios da Continental. Era ele, o Miguel Penteado, depois o José Sidekerskis, que hoje também tem uma editora própria. Eram os três...

W: O famoso Zelão!

Igayara: Zelão! 

W: Quer dizer que na verdade, as pessoas fixas da editora, eram o Cortez e mais algumas pessoas? O resto do pessoal era tudo colaborador?

Igayara: Colaborador, inclusive o Cláudio de Souza, que depois eu iria encontrar na Abril, um homem da Abril, trabalhou na Abril 30 anos, também participava, criava histórias etc, e tinha algum interesse também na editora Continental. Havia também o Eli Lacerda, sei lá, deviam ser sócios minoritários, tinha muita coisa.

W: Você trabalhava em casa?

Igayara: Trabalhava em casa e depois no escritório que eu aluguei no Martinelli por uns 4 anos, junto com Lyrio Aragão, com Júlio Shimamoto e Luiz Saindenberg.


W: Quando foi isso?

Igayara: Isto foi ali por 60, 61. Quando entrei na Abril nós já tínhamos o escritório alugado.

W: Aí você continuou desenvolvendo trabalhos mesmo trabalhando na Abril?

Igayara: Exato. De vez em quando passava no escritório, fiquei até o fim, participando com o pessoal do escritório. Naquele tempo também o (presidente) Jânio ia nacionalizar os quadrinhos, aquela mesma lei que depois voltaria. E o escritório acabou virando uma espécie de sindicato. Eles marcavam reunião lá dentro, aí vinha o Cortez, o Penteado, tudo quanto é desenhista, enchia de gente. Então o escritório, que era aquele refúgio nosso, de repente a gente tinha que voltar pra casa porque o escritório virou uma espécie de sindicato, não é? 

E tinha aquele jornal, o Correio Paulistano, que era até dirigido por um dos irmãos do Ely Barbosa, era um jornalista, tem o Benedito Ruy Barbosa, irmão dele, mas esse outro irmão, que era jornalista, era outro irmão, fazia cobertura em termos de lei nacional, quase que diária. Em primeira página! Então foi um negócio meio efervescente, aquela campanha. Daí o Jânio renunciou e foi pra cucuia todo o sonho, e a lei também!

Zeca e Peteca - revista Bidu - editora Continental - 1961

W: Só pra terminar essa fase. Você começou a desenvolver alguns personagens que acabaram não saindo, nunca foram publicados. Você tem esse material ainda? 

Igayara: Não. Quando houve uma liquidação do material acervo da editora, muita gente soube e foi lá buscar o seu. Eu fui um dos que não souberam e não apareceram. Sei que tem muita gente e tal... O próprio Gedeone, pela exposição que eu vi em Jundiaí, botou originais meus dessa época, mas eu não tenho nada. Tem uma história em tirinhas do Peninha, mas nenhuma página inteira do Peninha, que foi o personagem que eu mais super produzi pra Continental naquele tempo. Não fiquei com nada... 

W: Mas nem revistas, assim no caso, você teria?

Igayara: Revista tenho um pouco mais do que isso que eu trouxe pra você, tenho um pacote. Se vasculhar bem talvez tenha até alguma coisa do terror que eu fiz, não tenho certeza.

W: Mas de material infantil você não teria todo o que você fez?

Igayara: Não tenho, não tenho material. Talvez o Gedeone tenha.

W: Mas o Gedeone começou a vender tudo...

Igayara: Ah, é? Eu soube que ele andou rifando muita coisa também. É uma pena, mas eu tenho pouco material dessa época. Eu não guardei, infelizmente. Não havia ainda aquele espírito de  conservação. Hoje todo desenhista zela pelo material. Ele tem obrigação ter o material retornado e deve ser a guarda dele. Nos Estados Unidos o comércio desse material é um negócio de altíssimo lucro. E ele vieram descobrir agora que eles podem vender uma tirinha por $200, o original, eles vendem os originais. Aquele Museu que tem lá ajuda o pessoal a comercializar isso. Tem um valor inestimável! Há grandes brigas na Marvel e na DC Comics pelo retorno do material. Às vezes a editora quer ficar com o material dos caras! 

W: Tem o Jack Kirby...

Igayara: Foi uma briga dessas, fantástica! Então, quer dizer, naquele tempo a gente não pensava muito nisso, que isso poderia ter um valor até histórico...

Igayara em Historinhas Semanais, editora Abril, 1962.

Worney: Na verdade, eu queria para finalizar essa parte dos quadrinhos da Outubro pra cá, você tem algum projeto, além da escola ou com a escola, tem algum projeto pra quadrinhos?

Igayara: Tenho, a escola não me absorve a semana inteira, me sobram alguns dias, a segunda-feira inteira, a terça de manhã, na quinta-feira de manhã e de tarde eu tô livre para minhas coisas, fora o fim de semana, eu tenho usado o fim de semana regularmente todos os meses, não é, também para fazer minhas minhas obras. Primeiro, que eu gosto de escrever continhos também, sou apaixonado por escrever continhos infantis, tenho lá duas dúzias prontos já, inéditos, que eu queria também ilustrar, estou esperando um tempo, que a feitura do material da escola me absorveu muito, então eu tô esperando um tempo, já tô começando, não só essa obra de livros e de quadrinhos também. Em quadrinhos eu tenho uma turma nova que questiona coisas bem atuais do universo da criança, até um robô pelo meio chamado Ovídeo, eu registrei em 1982, que o pessoal aqui gosta de desenhar. Ovídeo é uma unidade eletrônica, defende o mundo das máquinas e quer ser humano como as crianças, as crianças não suportam o Ovídeo, mas ele é todo poderoso, ele pode jogar bola melhor que os outros, ele é todo incrementado. 

Há um ser invisível, extraterreno, no meio, que foi localizado pelo próprio Ovídeo e há uma turminha, uma gama de garotos. Há a Luciana que estraçalha história, briga com o leitor, com o próprio escritor e diz: Nessa história de príncipe encantado eu não trabalho! E para duas páginas de braços cruzados e ela enrola a página de quadrinhos, chuta pra fora, e ela estraçalha tudo, e ela se mete muito com o Ovídeo e quebra tudo, só porque ela ela defende a vida livre. Apesar dela dela contestar muitas as histórias, mas o Ouvídeo diz que as máquinas vão dominar o mundo, e que todo mundo deveria estar assistindo televisão, vendo a novela e não vendo essas bobagens de livros. Através disso eu faço toda uma análise, e uma vivência, um troço bem humorado, a respeito desse universo de ocupação da criança, ou seja, o problema da literatura, o problema do avanço da televisão, dos meios eletrônicos etc, da criança como lazer... 

W: A Luciana, ela teria uns seis anos?

Igayara: Ela teria uns oito anos. Então, eu estou esperando criar esta turma, que chamaria Os Pererecas, provisoriamente, uma coisa bastante revolucionária... Bastante revolucionária é muita pretensão minha, deixa eu reformular, uma coisa um pouco original em termos de sair dessas histórias comuns.

W: Esse material você tá bolando ainda?

Igayara: Esse material tá todo estruturado, tenho 20 histórias escritas, prontas. Eu só sou um cara assim meio perfeccionista, lá em casa eles me chamam de "o rei do modelsheet", porque na hora que o negócio tá pronto,  já tenho as primeiras histórias executadas, eu cismo que alguma coisa não tá bem, então eu começo a fazer um novo modelsheet, altero a figura e tudo que eu fiz fica invalidado, então agora cheguei a um ponto, porque tendo a escola eu checo meu material, então há uma última versão dessa turminha com um design bem diferente, porque eu também fui um pouco preso à Disney, não esqueça disso, não é, então meu desenho tem aquela tendência extremamente redonda e tal, que agora eu consegui, nesse modelsheet, deixar de lado, não que seja ruim, mas eu não quero fazer daquela forma, eu quero um negócio um pouco mais um pouco macio, um pouco mais nervoso, pro lado um pouco de Stefi, você não conhece Stefi, da Grazia Nidasio, uma italiana? É um material fantástico, muito macio, muito legal, muito gostoso, muito movimentado. Eu quero ir um pouco por aí, um pouco, por exemplo, do lado de Calvin. 
Stefi, por Grazia Nidasio.

O Watterson quando fez Calvin eu me penitenciei, eu falei: Eu não desenho por vinte dias de castigo, porque eu sou um medíocre! Esse Calvin é a coisa que eu queria ter inventado na vida, no paralelo, porque ele é um pouco baseado em Schultz, você sente,  baseado um pouco em Walt Kelly, um dissidente Disney que fez o Pogo, uma obra fantástica, norte-americana, não apareceu muito no Brasil, só mais na Linus. Então o que houve, o Watterson baseado um nesses dois, criou um negócio fantástico, o universo daquele tigre inanimado e vivo na presença do garoto, e a piadas são de um nível espetacular. Eu morro de rir cada vez que releio o Calvin, então, eu queria fazer um material assim, nessa linha, que desse um impacto, que provocasse. Eu tô tentando isso, se vou conseguir não sei, mas eu não vou desistir nunca, vou correr atrás. 

Florisvaldo, o vagabundo, 1979.

Eu tô com isso e tenho Florisvaldo, que era aquele vagabundo, que era um pouco de contestação, que eu tô tentando retomar. Tenho os bichinhos, que eu gosto muito, eu tenho uma turma de bichinhos também, que é a Nina, Bonifácio, Felisberto, alguns que saíram em Recreio, em Alegria, é uma turminha que eu mantive e ampliei com alguns bichinhos nacionais, além da tartaruga, tem um tatu, tem uma capivara pelo meio, tem uns bichinhos brasileiros e está saindo um negocinho muito gostoso.

W: Agora a ideia de todo esse material é trabalhar... o Ovídeo você falou que fez em 82? Você chegou a publicar?

Igayara: Não cheguei a publicar, eu registrei lá na faculdade de belas-artes, me garanti por todos os lados, eu achava uma boa jogada como personagem, a turminha dele foi ficando muito gostosa, as histórias saem fácil, pela descrição da personalidade então, esse é um bom sintoma, você não sofre pra fazer uma história, sobram ideias. E o Ovídeo vai dar muito samba, porque ele é uma unidade toda poderosa, então, ele pode desligar semáforos, interferir em um computador, ele pode ser televisor e as crianças ficarem assistindo a ele próprio até a hora que quiserem, ele pode fazer lição pras crianças, claro, porque ele quer cativar por um lado, porque ele quer entrar no futebol, porque ele gosta de futebol, ele é apaixonado por uma das menininhas, veja, tem até essas incoerências assim. Quer dizer é um negócio absolutamente divertido, ele pode soltar raio laser, criar campo de força, gravitar, ele faz tudo!

Revista Crás - editora Abril - 1974

W: A ideia desse material é você trabalhar com o pessoal escola também? 

Igayara: Também com o pessoal da escola. Pegar uns assistentes e tocar o barco também com o pessoal da escola. A ideia é realmente essa.

W: É, porque, por exemplo, teve o material do César Sandoval. E a (editora) Globo arriscou e deu certo...

Igayara: Pois é, tem os monstrinhos dele, a Turma do Arrepio. Bem desenhadinho, muito bem feito por sinal!

W: O caminho podia ser esse também, trabalhar com a perspectiva de publicação desse material em uma revista própria...

Igayara: Exatamente, a minha ideia é essa! E que quando fala em revista própria, eu sou muito adepto também das revistas mistas, como têm os europeus, a Pilote, Circus, Corriere dei Piccolli, tem um monte! Que apresenta, de modo coerente, um extrato de histórias, universos compatíveis pra uma determinada faixa, e que apresentam histórias misturadas... alguns... como até os mais fortes, os Moebius da vida, publicam em capítulos depois reúnem em álbum, na Europa a jogada é feita mais ou menos assim, né, eu sou muito fã de revista, mas ninguém acreditou nesse tipo de revista neste país, nem consegui convencer Abril, e outro dia batendo um papo com um pessoal da Globo, também eles não tão Interessados em fazer revista mista, então, eu acho que só resta o caminho da revista individual e ela é mais difícil, porque daí ela tem que ter o peso realmente forte pra poder vingar.

W: Pra poder completar também com merchandising. Nada sai sem merchandising...

Igayara: É isso!


Igayara no tabloide O Governador, 1953.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Florisvaldo, o vagabundo - Última Hora - 1965


Em seu livro O Mundo dos Quadrinhos de 1977, editora Símbolo, Ionaldo Cavalcanti escreveu: “Criação de Waldyr Igayara de Souza de 1965, esta série humorística era publicada em tiras diárias pelo jornal Última Hora, de São Paulo, entre os anos de 1965 e 1966.

Dentro daquele espírito engraçado que o caracterizava, o vagabundo Florisvaldo junto com outros elementos de sua condição social, preferia dormir na companhia de um cão rabujento num pé de escada, onde a amizade é sincera e sem maldade".
Anúncio promovendo a estreia da tira. À direita, Igayara apresenta seu novo personagem.

Florisvaldo estreou nas páginas do jornal Última Hora em agosto de 1965. Por ocasião do seu lançamento foi publicado em 30/07 o seguinte texto: "José Alberto Florisvaldo da Cunha Albuquerque e Nascimento Moreira Ferreira da Silva, talvez seja o seu nome. Mantém segredo e, por isso, todos o chamam (como o resto o chamará, daqui por diante), de Florisvaldo, simplesmente. Vai estar por aqui, pelas colunas do ÚLTIMA HORA, com a constância dos puros: todos os dias, a partir de amanhã. Foi criado pra isso. Tem um objetivo: viver e deixar viver. Não quer pisar no calo de ninguém - e faz uma força danada, pra que ninguém lhe pise no pé, também. Tem uma alma viva de flores e vivaldice, vive e sente os problemas da época, apesar de não ter muita consciência disso. Vai levando - eis a verdade.


O criador de Florisvaldo é Waldir Igayara, artista de alma leve, moça e brasileira, que desde os 17 anos de idade está apaixonado pela visão do papel branco, que lhe dá oportunidade de corporificar ideias. Em 1961, quando começou o movimento brasileiro de histórias em quadrinhos, lançou vários personagens: Peninha, o menino-índio, era um deles. Depois, passou a se dedicar à ilustração de histórias infantis e, nas horas vagas, para se deleitar foi melhorando uma inspiração velha. E de melhora em melhora, um dia espiou: - Inventei o Florisvaldo - pensou. 

E era verdade. A sua arte, o leitor vai ver como é. E, através dela, vai ver como é o Florisvaldo. O leitor não se impaciente: Florisvaldo vem aí, com amor e ironia. A partir de amanhã, na página 3, do 2º caderno". 

Em depoimento a Fernando Ventura, Igayara declarou: “O Florisvaldo nasceu com as exceções que eu não poderia usar em Disney, um vagabundo com toda liberdade, que tomava pinga, dormia no banco de jardim, era preso, malandro por natureza; e por dois anos fiz mais de quinhentas piadas desse vagabundo em tirinhas fechadas, com um, dois, três quadros pra contar a minha piada. 

Foi um sucesso, embora não tivesse dado um resultado financeiro muito grande”.

Florisvaldo foi reformulado em 1979 para participar do Projeto Tiras, da editora Abril. Para conhecer essa fase clique aqui.

Sobre o autor podemos ler na Wikipedia: ""Waldyr Igayara de Souza, ilustrador e cartunista brasileiro. Foi juntamente com Jorge Kato, um dos primeiros desenhistas brasileiros a criar e ilustrar histórias Disney para o estúdio de histórias em quadrinhos criado pela editora Abril no final dos anos 60.

Igayara foi editor chefe na editora Abril por 25 anos, desenhando personagens como Zé Carioca, Peninha e seu sobrinho Biquinho, que ele próprio criou, e trabalhando ao lado de artistas como Ivan Saidenberg, Renato Canini, Oscar Kern entre outros. 

Também criou, em 1980, o personagem Paulistinha e sua turma, para um álbum de figurinhas promocional da Secretaria da Fazenda Estadual de São Paulo. 


Mais tarde iniciou sua própria escola de arte e também ilustrou livros infantis".

Ainda segundo Ventura "a convite de um parente, Igayara se afasta da Abril temporariamente para trabalhar na Celmar, empresa do ramo de móveis, quando também publica no jornal Última Hora (São Paulo) as tiras de seu personagem Florisvaldo (1965-1966), o vagabundo". 

Ventura continua: "Ainda em 1961, o paulistano Waldyr Igayara de Souza (1934-2002) ingressa na editora (Abril) e se torna assistente de Kato na produção Disney. O desenhista acumulava experiência como cartazista e funcionário público, tendo trabalhado na Secretaria de Segurança Pública no setor de mapas e posteriormente como investigador. 

Igayara em O Governador - 1953

A partir de 1953, publicou cartuns no tabloide O Governador e na revista Seleções Humorísticas, editadas por Laio Martins Filho, que também publicava seu parceiro Lyrio Aragão Dias (1933-1968). Entre 1957 e 1960, estudou desenho e aquarela com o professor João Rossi (1923-2000), na Associação Paulista de Belas Artes. 

Sob orientação de Jaime (Jayme) Cortez Martins (1926-1997) e Messias de Mello (1904-1994), desenhou, entre 1958 e 1960, HQs para os títulos infantis da Editora Outubropara os quais criou personagens como o Índio Peninha, Teodoro & Orelhinhas e Zeca & Peteca
Igayara em Histórias do Além - editora Outubro - 1965

Na época, o autor dividia com os amigos Lyrio, Júlio Shimamoto (Boborema, 1939) e Luiz Simões Saindenberg (Piracicaba, 1940) uma sala no edifício Martinelli, onde produziam o material para a editora. Igayara discorre sobre o período: 

“Eu cheguei à Abril por absoluta necessidade. Eu trabalhava para Jayme Cortez em revistas brasileiras e, naqueles tempos, terror e infantis tinham grande sucesso nessas editoras ditas menores. Com Cortez eu tive a oportunidade de, com mais cinquenta outros grandes cobras do futuro, fazer HQs com personagens próprios – e a coisa ia bem até que me casei. Saí de lua de mel, em Poços de Calda, como todo desenhista pobre, e na volta todas as revistas estavam fechadas.

Igayara em Historinhas Semanais - editora Abril - 1964

Eu tinha outro emprego que me garantia o aluguel do apartamento, mas eu não tinha dinheiro para fazer coisa nenhuma. Eu tinha de fazer um monte de visitas aos amigos, aos parentes e ao meu próprio sogro para poder comer. 

Nessas alturas eu tinha contato com Cláudio de Sousa, que, embora fosse diretor da Abril era também um colaborador de Cortez. Eu fui falar com ele, que então me encaminhou para o setor de revistas em quadrinhos, que era comandado por uma mulher chamada Kira Siliverstoff. Lá trabalhava o Jorge Kato, de quem fui ser assistente. Para entrar eu fiz um teste, desenhando uma página de Vovó Donalda e Gansolino; escolheram personagens estranhos para mim, poderiam ter dado o Zé Carioca logo de cara, teria sido mais fácil. Com esta página eu entrei na Abril (...) e comecei a desenhar histórias do Zé Carioca junto com o Jorge Kato – a primeira das quais foi O Pandeiro Mágico, que foi o próprio Cláudio de Sousa quem escreveu”.


No blog sobre o autor, encontramos a seguinte biografia:

  • 1957-1960 - Aluno do Prof. João Rossi na Associação Paulista de Belas Artes (desenho e aquarela). 
  • 1958-1960 - Colaborador de Jayme Cortez na criação de quadrinhos nacionais. 
  • 1961-1965 - Desenhista Disney dos estúdios Disney na editora Abril. 
  • 1964-1965 - Criador do personagem Florisvaldo, o vagabundo, publicado no Jornal Última Hora. 500 tiras (mais exatamente 418) publicadas, posteriormente republicadas (na verdade reelaboradas) pela Abril em convênio com diversos jornais (Projeto Tiras - 1979). (As tiras originais de Florisvaldo foram republicadas por breve período no jornal A Tribuna, de Santos, em 1968). 
  • 1969-1989 - Diretor Editorial da Abril Jovem - Publicações Infanto-juvenis (revistas em quadrinhos, revistas de atividades e livros). 
  • 1969-1989 - Diretor do Centro de Criação de Quadrinhos da Abril. 
  • 1969 - Criação da Revista Recreio. 
  • 1978-1988 - Visitas frequentes aos estúdios Disney, Hanna & Barbera, Corrieri dei Piccoli, Snoopy Place, entre outras editoras e produtoras. 
  • 1982 - Criador da Revista Alegria e de seu personagem principal, o palhaço Alegria. 
  • 1990-2002 - Diretor e professor do Estúdio e Escola de Arte Igayara, em São Paulo. 
  • 1991 - Consultor Editorial da Ayrton Senna Promoções, para a Revista do Senninha. 
  • 1992 - Prêmio Ângelo Agostini de Mestre dos Quadrinhos pela AQC.


sábado, 28 de abril de 2018

Coisas do Futebol - Folha de S. Paulo - 1964


A série Coisas do Futebol, com desenhos de Júlio Shimamoto foi publicada pela Folha de São Paulo entre 1964 e 1965 com distribuição de Maurício de Souza.

Geralmente saía às segundas-feiras junto com as notícias dos jogos ocorridos durante o fim de semana anterior. 

Apesar de ser pro­duzida no formato tira, eram publicadas várias sequências, quatro ou cinco em seguida, for­mando uma história completa, geralmente uma curiosidade futebolística. 

Os textos eram de Luis Hamasaki, Nestor, Terra e até do próprio Maurício

Desenhos de Herrero.

Alguns capí­tulos foram desenhados por Herrero (Carlos Edgard Herrero) que posteriormente viria a se tornar um dos grandes desenhistas Disney do Brasil e por Wilson Fernandes, já falecido, que na segunda metade dos anos 60 pela editora Taika, escreveu e desenhou, influenciado pela explosão dos super-heróis no Brasil, os três primeiros números do Escorpião, um novo herói brasileiro, e a edição única de Bola de Fogo (1967).

Desenhos de Wilson Fernandes.

sábado, 21 de abril de 2018

Carlos Edgard HERRERO - Entrevista

Herrero é bastante conhecido por seu trabalho na linha de quadrinhos Disney a partir do final da década de 1960, mas, antes mesmo disso, o artista já consolidava uma sólida carreira no campo das histórias em quadrinhos e da ilustração. 

É sobre esse período que falamos na entrevista a seguir, realizada em abril de 2018:

Luigi Rocco: Em primeiro lugar, seu nome completo quando e onde você nasceu? De onde se origina sua família?

Herrero: Carlos Edgard Herrero, 2 de Agosto de 1944. Minha família, por parte de pai, são espanhóis, Aragoneses (avó) e Ávila (avô). Por parte de mãe são portugueses madeirenses.

LR: Em que escolas fez seus estudos?

Herrero: Belas Artes de São Paulo.

LR: Como começou a se interessar por desenho?

Herrero: Os primeiros passos foram com minha mãe, que desenhava muito bem, e pela montanha de gibis de faroeste, terror, aventura enfim, tudo que era quadrinhos.

LR: Que quadrinhos você lia quando criança?

Herrero: Tudo que via nas bancas, Rocky Lane, Don Chicote, Cisco Kid, Apache Kid, Roy Rogers, Terror, aventura, clássicos da Edição Maravilhosa, Príncipe Valente e outros.

LR: Qual foi sua primeira publicação ou trabalho profissional?

Herrero: Maurício de Sousa, grande cara!

LR: A imagem abaixo é de uma série distribuída por Maurício de Sousa a partir de 1964 para o Diário de S. Paulo, chamada Polícia Fantasma. Alguns episódios levam a sua assinatura e de Paulo Hamasaki. Como era o processo de realização dessa tira. Quem fazia o quê na série? Você pode falar alguma coisa sobre o Paulo Hamasaki?


Herrero: O Paulo Hamasaki, grande amigo, desenhista e roteirista muito competente no que fazia criou a série e me escolheu para ilustrar.

LR: A imagem a seguir é da tira Vizunga, desenhada por Flávio Colin, essa tem sua assinatura (1965). Você devia ter por volta de 20 anos, correto? Como se deu sua participação nessa série? Quem é o Veloso que assina junto com você?


Herrero: O criador do Vizunga, Flávio Colin, adoeceu e me indicou para continuar a série e Benedito Veloso, que trabalhava na Abril, escrevia o roteiro.

LR: Como era a sua ligação com os estúdios de Maurício? Você era contratado ou colaborador? Como começou essa colaboração?

Herrero: Contratado com carteira assinada e tudo.

LR: A imagem abaixo é um desenho seu também de 1965. Você pode falar algo sobre ele*?


Herrero: Não lembro mesmo. Acho que era um cartum relacionado com a chegada do homem à Lua.

LR: As imagens seguintes são desenhos seus para a MSP, passatempo do Diário Popular e uma capa para a Folhinha de S. Paulo, ambas de 1966. Poderia falar sobre esses trabalhos?


Herrero: O Maurício me considerava um artista polivalente e me escalava com frequência.

LR: Você lembra de outras pessoas que colaboravam com os estúdios de Maurício nesse período? Você lembra de um desenhista (talvez um espanhol) chamado Álvarez, que andava pela MSP nessa época?

Herrero: Eram tantos atrás de uma chance que não lembro mesmo.

LR: Você trabalhou em algumas das séries de tiras de Maurício?

Herrero: Páginas sim, tiras para jornal ou tabloides não.

LR. A próxima imagem é de uma história sua para a revista O Loco, da editora Taika, de 1968. Você pode falar um pouco sobre ela? Como era o seu relacionamento com o editor e principal colaborador da revista, Clive Pop?


Herrero: Para a Taika fiz muito pouco, acho que foram uma ou duas páginas no estilo Mad e só.

LR: Em depoimento, Waldir Igayara disse que foi ele que levou você para a editora Abril em 1966. Isso procede? O que você estava fazendo antes de ingressar na Abril?

Herrero: Procede! O Iga me convenceu a ir para Abril. Antes da Abril, trabalhava com o Maurício de Sousa.

LR: Igayara também disse que quando era criado um novo grupo de personagens, tipo a turma do Biquinho, ele produzia um roteiro com todos os personagens e que eles aparecessem vários juntos em um mesmo quadrinho e, devido ao seu enorme talento, ele dava para você desenhar. Depois essa história iria servir de model sheet para os outros artistas da casa. Isso procede?

Herrero: Procede! O Iga e o Jorge Kato gostavam muito do meu trabalho e do meu estilo, mesmo sendo Disney, tinha um estilo próprio segundo eles!

LR: Em 1974 você desenhou o personagem Vavavum para a revista Crás, da editora Abril. A primeira história teve a participação de Nico Rosso, mas na segunda você assumiu o personagem sozinho. Por que se deu isso? Fale um pouco sobre a série.

O Vavavum de Nico Rosso e Herrero e o Vavavum solo de Herrero. Roteiros de Ivan Saindenberg.

Herrero: Acharam o estilo do Nico Rosso muito pesado para o tema!

LR: Para a mesma revista Crás você produziu O Lobisomem, que se passava, aparentemente, na idade média. Você pode falar sobre ele? Como era a pesquisa de trajes e tipos?

O Lobisomem. Roteiros de Júlio Andrade Filho.

Herrero: O Lobi é um monstro frustrado; sofre de asma, desafina quando uíva, tem medo do escuro e de atacar as pessoas. Pesquisa de trajes e tipos, como você disse, eram baseados no estilo medieval.

LR: Quando e por que se deu a sua saída da editora Abril?

Herrero: Para montar uma pequena agência de propaganda e atender clientes de porte que já trabalhavam comigo, por sugestão deles.

LR: A imagem abaixo apresenta o crédito do Estúdio Herrero. Você pode falar sobre isso?


Herrero: Pois é, eu criei o personagem representativo na área de panificação e confeitaria para a Unilever chamado João Gradina e muitos outros. Criava conceitos, temas de campanha, folders e folhetos de lançamentos e pontos de vendas.

LR: Só pra finalizar, uma última pergunta. Que materiais você costuma usar em seus trabalhos?

Herrero: Papel Bristol, sulfite 95 gr (esboço), Schoeler Hamer 2R ou 4R, lápis de diversas qualidades, canetas tipo fine line Pin, Sakura, Staedtler de várias numerações, pincéis Talens, Kolinsky, tinta nanquim, Ecoline ou, na maioria da vezes traço, scaner e Photoshop salvos em jpg. 

Para muitos, pode ser excesso de frescura mas, pra quem desenha, a qualidade começa pelo material! 

Abraço, Herrero!

Herrero se mantém produtivo e atuante e tem um site onde apresenta seus trabalhos atuais e oferece seus serviços. Dessa página tiramos a seguinte biografia: 

"Estudou na Escola de Belas Artes e começou sua carreira como desenhista Disney no final dos anos 1960, produzindo histórias com o personagem Zé Carioca. Mais tarde ele passou a trabalhar com a família Pato (Donald, Tio Patinhas, sobrinhos, Margarida etc), Professor Pardal e muitos outros. Em 1972, ele criou em conjunto com o maior roteirista de quadrinhos brasileiro, Ivan Saidenberg, o personagem Morcego Vermelho e começou a ilustrar histórias deste alterego do Peninha.

Herrero é o desenhista brasileiro que mais contribuiu com histórias para os Estúdios Disney Americanos. Desde o início dos anos 70 ele desenhou mais de quatro mil páginas de quadrinhos Disney. Sua primeira história Disney foi “Ao Pé da Letra”, com o Pato Donald, em 1969. E continua publicando histórias inéditas até hoje, como “A Base Secreta” com o Zé Carioca publicada pela Abril em Agosto de 2015.


Nos anos 80, Herrero ingressou na área de projetos especiais a Editora Abril, realizando campanhas de marketing para importantes marcas como lançamento da boneca Barbie no Brasil, revitalização e estilização da Menina Claybom (Nhac).

A menina Nhac por Herrero (1982).

Em paralelo à sua carreira de quadrinhos, Herrero montou sua agência de criação, atendendo a clientes como Unilever, Sandoz, Gradina (linha profissional da Bunge Alimentos), Viação Cometa entre muitos outros. Sua atuação foi desde criações de material de ponto de venda, passando por design de embalagens, materiais de treinamento e até mesmo por campanhas promocionais dos Shoppings Iguatemi e Eldorado em São Paulo.

Além dos quadrinhos, Herrero trabalha como autor e ilustrador de histórias de suspense, terror, ficção científica e faroeste. Atuou com as maiores editoras do país e ilustrou inúmeros livros de vários gêneros, com destaque às obras de coautoria com Pedro Bandeira (coleção Meus Medinhos) e o “Jibobinha”, que foi reeditado na versão digital em 2017.



Ilustração para o livro Jibobinha - editora Moderna - 1994

Atualmente, Herrero conta com seu estúdio home office em São Paulo. Lá ele cria novos personagens e cartuns como “A Saga do Papai Noel do Herrero”, publicado exclusivamente no Instagram. Ele também se diverte com suas novas tirinhas e charges publicadas no Social Comics. Desenvolve e-books infantis, ilustra livros, cria materiais impressos e digitais diversos, pinta aquarelas decorativas, participa de eventos com a Editora Abril, desenha HQs inéditas, e está sempre pronto para o que vier pela frente".

Ilustrações para os livros A Onça e o Saci (editora Moderna - 1994) e Os Pichadores (editora Quinteto - 2001).


*Segundo Quim Thrussel, o boletim O Cobra (Órgão Interno da 1ª Convenção Brasileira de Ficção Científica) está classificado como um dos primeiros fanzines brasileiros e foi distribuído no evento, que aconteceu semanas antes do lançamento do fanzine Ficção de Edson Rontani.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Chopinho - A Gazeta - 1969


Chopinho é mais uma das criações do cartunista Luscar e foi publicado pelo jornal paulistano A Gazeta a partir de 1969 dentro da série Blá-Blá-Blá.

Chopinho é um típico hippie daquele período e faz parte da grande galeria de personagens etílicos das tiras brasileiras, mas num clima de total paz e amor!

Foi publicado também nas revistas Blá-Blá-Blá e Top Top, ambas da editora Taika, em 1970.


Luscar no Almanaque do Biotônico Fontoura - 1969.

Embora não conste na maioria de suas biografias, Luscar trabalhou nos estúdios de Maurício de Sousa na década de 1960. Sobre ele a Enciclopédia dos Quadrinhos (Goida / André Kleinert - L&PM - 2011) reporta: "Luscar - Brasil (1948) - Nascido em Salto (São Paulo), Luiz Carlos dos Santos começou a trabalhar num órgão de propaganda muito conhecido, o Almanaque do Biotônico Fontoura (1969). Colaborou depois como cartunista e às vezes quadrinista em Visão, Ficção em Quadrinhos e O Bicho. Também publicou em O Pasquim, Circo e Chiclete com Banana, em especial com a série "Dr. Baixada", que chegou a sair em miniálbum, Dr. Baixada & Cia (Circo, 1986). Luscar igualmente trabalhou em duas fases da Mad nacional (Vecchi e Record). Participou também do álbum coletivo O novo humor do Pasquim (Codecri, 1977)".


terça-feira, 10 de abril de 2018

Josué - A Gazeta - 1969


O típico profeta do apocalipse, Josué foi criado pelo cartunista Luscar para as páginas do jornal paulistano A Gazeta em 1969. Ele fazia parte da tira Blá-Blá-Blá e representava bem aqueles tempos difíceis e desesperançados.

Josué foi publicado também na revista masculina Blá-Blá-Blá da editora Taika em 1970.

Luscar no Almanaque do Biotônico Fontoura - 1969.

Segundo o site Guia dos Quadrinhos: "Luscar (1949) - Paulista de Salto, Luiz Carlos dos Santos iniciou profissionalmente em 1969, no “Almanaque do Biotônico Fontoura”. Colaborou depois, como cartunista (e às vezes desenhista) em “Visão”, “Ficção em Quadrinhos” e “O Bicho”".

Luscar nos presenteou também com a tira Dr. Baixada.